Espécie típica da faixa de areia entre Chuí e Arroio do Sal foi flagrada comendo capim com o uso das patas na Praia do Cassino, em Rio Grande.

Projeto busca preservar habitat desses animais.

Tuco-tuco foi flagrado comendo capim nas dunas do Cassino, em Rio Grande Carlos Eduardo Soares/Divulgação Em meio às dunas de areia, quase invisível naquele ecossistema, habita o tuco-tuco, uma espécie de roedor comum nas dunas do litoral gaúcho.

Um registro recente feito em meio à pandemia de coronavírus, na Praia do Cassino, em Rio Grande, no Sul do estado, mostra a importância da preservação do ambiente para evitar a extinção desses animais. O clique feito pelo fotógrafo Carlos Eduardo Soares mostra a habilidade que o roedor tem de segurar com as patas o alimento.

A imagem dá indícios de que o tuco-tuco também precisa competir por seu alimento com o gado.

O capim-das-dunas que ele ingere na imagem compõe cerca de 66% da alimentação da espécie.

Porém, este alimento é também a preferência de bois e vacas que ocupam a região. “Procurei divulgar esta cena para que outras pessoas possam conhecer mais sobre o tuco-tuco, sejam sensibilizadas e pensem na conservação ambiental”, diz o fotógrafo, que há anos se dedica a retratar a fauna e flora do litoral gaúcho. Os tuco-tucos, ou Ctenomys flamarioni, habitam as galerias subterrâneas escavadas nas dunas entre o Chuí, no Sul, e Arroio do Sal, no Litoral Norte.

A espécie está classificada na categoria dos animais em perigo de extinção em nível global, nacional e estadual.

A perda do habitat pelo desenvolvimento da área costeira é apontada como uma das principais causas de ameaça. "Ela vem sofrendo por conta da degradação do habitat.

As dunas na região norte do estado, onde existe maior urbanização, é muito menor do que em relação ao Sul.

Entender como isso está impactando nos animais é fundamental", afirma o biólogo Bruno Busnello Kubiak. O projeto Mar de Areia, coordenado pela oceanóloga Lilian Wetzel junto ao Núcleo de Educação e Monitoramento Ambiental (Nema) da Universidade Federal do Rio Grande (FURG), luta pela criação de duas unidades de conservação nas dunas de Rio Grande — um parque natural e um refúgio de vida silvestre — para preservar este ecossistema. A ideia é fazer os levantamentos técnicos das características da área e, principalmente, sensibilizar a comunidade para a importância da preservação.

Só aí eles pretendem encaminhar um projeto de lei à Câmara de Vereadores para criar essas unidades.